AnnaLabsavaliação nutricional

idoso: não é apenas um adulto mais velho

ABCD adaptado à idade: antropometria, bioquímica, clínica e funcional, dietética. No idoso, o peso sozinho engana.

ir direto para

peso aparentemente adequado não significa estado nutricional adequado

o idoso não é apenas um adulto mais velho

Com o envelhecimento, o corpo, a boca, o apetite, os remédios e a rotina mudam ao mesmo tempo. Por isso o risco de desnutrição, sarcopenia, fragilidade e desidratação é maior, e a avaliação usa outros pontos de corte e outras perguntas.

corpo

menos músculo e osso

A massa muscular e óssea diminui e a gordura relativa aumenta. O peso pode ficar igual enquanto o músculo vai embora.

corpo

menos água e menos sede

A água corporal cai e a sede é menos sentida. A desidratação aparece fácil e passa despercebida.

alimentação

menos apetite

Come-se menos, muitas vezes sem perceber. Por trás disso pode haver doença, remédio, tristeza ou solidão.

alimentação

boca, paladar e olfato

Dentes, prótese, mastigação, disfagia e a perda de gosto e cheiro tornam a comida menos atraente e mais difícil.

saúde

absorção e remédios

A absorção de nutrientes muda e é comum usar vários medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia), que podem atrapalhar nutrientes.

rotina

cabeça, mobilidade e rotina

Alterações cognitivas, dificuldade para andar, comprar, cozinhar ou comer sozinho pesam tanto quanto um exame.

O estado nutricional do idoso não é só o peso. Depende de poder comprar e preparar a comida, de comer acompanhado, de mastigar, engolir e manter a rotina.

fonte: Aula 6, avaliação nutricional do idoso

as quatro dimensões da avaliação

O método ABCD continua valendo. O que muda é o que se mede e como se interpreta cada resultado.

A

antropometria

O que o corpo mostra em medidas.

  • peso, estatura e IMC do idoso
  • perda de peso, sempre com o prazo
  • panturrilha, braço e CMB
  • medidas estimadas, quando não dá para pesar
B

bioquímica

O que os exames mostram por dentro.

  • glicemia e perfil lipídico
  • albumina e PCR
  • hemoglobina
  • vitamina B12 (atenção aos remédios)
C

clínica e funcional

O que o exame físico, a história e a função contam.

  • mastigação e deglutição
  • medicamentos
  • força e desempenho físico
  • sinais de carências e hidratação
D

dietética

O que e como a pessoa come.

  • recordatório de 24 h
  • diário e frequência alimentar
  • por que está comendo menos?
  • proteína, fibra e líquidos
fonte: Aula 6

o caminho do raciocínio

Cinco passos para pensar um caso. Cada cartão mostra, na prática, o que fazer com a dona Helena, uma paciente fictícia.

  1. 1

    medir

    coletar os dados, incluindo o peso de antes

    com a dona Helena72 anos, 1,55 m e 63 kg. Há 3 meses pesava 70 kg. IMC = 63 ÷ 1,55² = 26,2 kg/m². Panturrilha de 30 cm
  2. 2

    comparar

    colocar cada medida na tabela do idoso

    com a dona HelenaIMC 26,2 está em eutrofia (22 a 27). Mas a perda foi de 10% em 3 meses, acima de 7,5%: perda grave. Panturrilha de 30 cm é menor que 31, sinal de alerta
  3. 3

    interpretar

    olhar os exames e dizer o que cada um mostra

    com a dona Helenaalbumina de 3,3 g/dL (abaixo de 3,5) e hemoglobina de 11,5 g/dL (abaixo de 12 para mulher). Albumina baixa sozinha não prova desnutrição, então olhe a PCR
  4. 4

    integrar

    juntar tudo e ver o quadro completo

    com a dona Helenao IMC parece bom, mas a perda grave de peso, a panturrilha baixa e os exames alterados apontam risco de desnutrição e de perda de músculo
  5. 5

    decidir

    escolher a conduta com base no quadro

    com a dona Helenadescobrir por que come menos, avaliar a força e planejar cerca de 1.890 kcal e 63 a 76 g de proteína por dia (30 kcal/kg e 1,0 a 1,2 g/kg)

arraste para o lado para ver os outros passos

fonte: Aula 6

Material de estudo feito por uma estudante de nutrição a partir das aulas da disciplina. Não substitui a avaliação de um profissional nem serve como diagnóstico.

atendimento

O passo a passo da consulta com o idoso, na ordem em que acontece. Marque o que já fez. As marcações ficam salvas neste aparelho.

conversa inicial

Se houver acompanhante ou cuidador, converse com os dois.

por que está comendo menos?

A pergunta que vem antes de qualquer cardápio.

clínica e função (C)

hidratação

consumo alimentar (D)

medidas (A)

exames (B) e triagem

diagnóstico integrado e conduta

fonte: Aula 6 e Apostila (2013)

exames

Aqui estão os alertas de exames da aula do idoso e o que olhar no exame físico. Para os marcadores completos, com todas as faixas e o raciocínio, veja a página do adulto. Escolha um grupo:

Os valores de referência variam um pouco entre laboratórios. No exame real, confira sempre o intervalo impresso no laudo.

grupo 1

exames de sangue

Os alertas usados na aula do idoso e um exame que merece atenção por causa dos remédios.

glicemia de jejum

normal: abaixo de 100 mg/dLpré-diabetes: 100 a 125diabetes: 126 ou mais

por que pedir: o diabetes é comum no idoso e muda a conduta alimentar e os medicamentos.

se alterado: glicemia alta aponta para diabetes. O diagnóstico precisa de confirmação com outro exame.

colesterol total, HDL e LDL

CT: alerta acima de 200 mg/dLHDL: alerta abaixo de 36 mg/dLLDL: alerta acima de 159 mg/dL

por que pedir: mostram o risco cardiovascular, que continua importante com a idade.

se alterado: a aula usa HDL abaixo de 36 como alerta. Para fechar síndrome metabólica, os cortes são 40 (homem) e 50 (mulher).

albumina

alerta: abaixo de 3,5 g/dL

por que pedir: é usada como marcador de risco nutricional.

se alterado: albumina baixa não é igual a desnutrição. Inflamação, hidratação, fígado e perdas também baixam o valor. Leia sempre junto com a PCR.

PCR (proteína C reativa)

alerta: acima de 0,5 mg/dL

por que pedir: mostra se existe inflamação.

se alterado: PCR alta junto com albumina baixa sugere que a inflamação explica a albumina. Sem inflamação e com perda de peso, o risco nutricional pesa mais.

hemoglobina

alerta: abaixo de 13 g/dL (homem)alerta: abaixo de 12 g/dL (mulher)

por que pedir: a anemia é frequente no idoso e causa cansaço, fraqueza e queda de função.

se alterado: pode vir de falta de ferro, B12 ou folato, de inflamação ou de doença crônica. Olhe o conjunto antes de concluir.

vitamina B12

confira o intervalo do laudo

por que pedir: metformina e omeprazol usados juntos diminuem a absorção de B12. É uma interação comum no idoso.

se alterado: B12 baixa pode causar cansaço, anemia e formigamento (parestesia). Pense nela diante desses sinais em quem usa esses remédios.

painel de raciocínio

  • Albumina baixa e PCR alta: a inflamação provavelmente explica. Não conclua desnutrição só por isso.
  • Albumina baixa, PCR normal e perda de peso: a suspeita de risco nutricional aumenta. Investigue a ingestão.
  • Hemoglobina baixa em quem usa metformina e omeprazol: pense em B12.
  • IMC parece bom e os exames estão alterados: não dê o idoso como "bem" só pelo peso.

mini-caso: seu Osvaldo

idade
79 anos
medicamentos
metformina e omeprazol há anos
queixa
cansaço e formigamento nos pés
hemoglobina
11,8 g/dL
  1. A hemoglobina está alterada?
  2. Que exame faz sentido pedir e por quê?
resposta de seu Osvaldo
  1. hemoglobina11,8 g/dL está abaixo de 13, o alerta para homens. Há anemia.
  2. que exame pedirVitamina B12. Metformina e omeprazol juntos diminuem a absorção, e cansaço mais formigamento nos pés combinam com a falta dela. Vale também ver o hemograma completo e perguntar como ele está comendo.
fonte: Aula 6 e caso de aula sobre metformina com omeprazol
grupo 2

exame físico (semiologia nutricional)

Procure perda de gordura sob a pele, perda de músculo, edema, alterações de pele, mucosas, cabelo e unhas, e como a pessoa mastiga e engole. Alguns sinais sugerem carências:

sinalpode sugerir falta de
pele seca e escamosazinco, ácidos graxos essenciais
cicatrização lentazinco, vitamina C
cabelo fino e quebradiçoproteína
sangramento da gengivavitamina C
língua inflamada (glossite)vitaminas do complexo B
perda de paladar (hipogeusia)zinco, vitamina A
osteomalácia (ossos amolecidos)vitamina D
edemaproteína
formigamento (parestesia)vitamina B12, tiamina
fadiga muscularproteína, selênio, vitamina D

Um sinal sugere, não confirma. Junte com a história, a alimentação e os exames.

fonte: Aula 6

métricas

Tabelas de pontos de corte e equações para consulta rápida, cada uma com a fonte. Escolha uma:

IMC do idoso

Para quem tem 60 anos ou mais

IMC (kg/m²)classificação
< 22baixo peso
22 a 27eutrofia
> 27excesso de peso

A Apostila separa a faixa de 22 a 24 como risco de déficit e fica com eutrofia de 24 a 27. Veja qual a prova pede.

O IMC não separa músculo de gordura, não mostra onde está a gordura e muda com edema e hidratação.

fonte: Aula 6 e Apostila (2013)

perda de peso por tempo

(peso usual − peso atual) ÷ peso usual × 100

temposignificativagrave
1 semana1 a 2%> 2%
1 mês5%> 5%
3 meses7,5%> 7,5%
6 meses10%> 10%

Descubra também se a perda foi de propósito, se houve menos ingestão ou doença. Uma idosa que vai de 70 para 63 kg em 3 meses precisa de investigação.

fonte: Blackburn, Aula 6 e Apostila (2013)

peso ideal e adequação do peso

Peso ideal = IMC médio do idoso (24,5) × altura². Adequação = peso atual ÷ peso ideal × 100

adequaçãoestado nutricional
≤ 70%desnutrição grave
70,1 a 80%desnutrição moderada
80,1 a 90%desnutrição leve
90,1 a 110%eutrofia
110,1 a 120%sobrepeso
> 120%obesidade
fonte: Apostila (2013)

circunferência da panturrilha (CP)

CPo que sugere
≥ 31 cmmenor chance de perda de músculo
< 31 cmsinal de alerta

A CP sozinha não diagnostica sarcopenia. Ela aponta quem precisa avaliar a força e o desempenho.

fonte: Aula 6

braço: CB, CMB e adequação

CMB = CB − [3,14 × (DCT ÷ 10)]. CB em cm e DCT (dobra do tríceps) em mm. Adequação da CMB = CMB ÷ percentil 50 da tabela × 100

adequação da CMBestado nutricional
< 70%desnutrição grave
70 a 79,9%desnutrição moderada
80 a 89,9%desnutrição leve
90 a 110%eutrofia
110,1 a 120%sobrepeso
> 120%obesidade

A CMB estima a massa muscular. A AMBc (área muscular do braço corrigida) é uma variação que também entra na avaliação.

fonte: Aula 6 e Apostila (2013)

equações de Chumlea (quando não dá para pesar ou medir)

Para o idoso acamado, com dificuldade de ficar em pé ou com postura que atrapalha. AJ = altura do joelho, CP = panturrilha, CB = braço (todas em cm). DCSE = dobra subescapular (mm).

estimativahomemmulher
altura (cm)64,19 + (2,04 × AJ) − (0,04 × idade)84,88 + (1,83 × AJ) − (0,24 × idade)
peso (kg)(0,98 × CP) + (1,16 × AJ) + (1,73 × CB) + (0,37 × DCSE) − 81,69(1,27 × CP) + (0,87 × AJ) + (0,98 × CB) + (0,4 × DCSE) − 62,35
peso simplificado (AJ e CB, pessoa branca)(1,10 × AJ) + (3,07 × CB) − 75,81(1,09 × AJ) + (2,68 × CB) − 65,51
fonte: Aula 6 e Apostila (2013)

sarcopenia

Não é "idoso magro". O consenso europeu atual (EWGSOP2) dá prioridade à força.

o que avaliarcomo
forçadinamometria (força de preensão da mão)
quantidade e qualidade do músculoDXA, bioimpedância, antropometria
desempenho físicovelocidade da marcha, timed up and go

Pessoa com sobrepeso ou obesidade também pode ter pouco músculo. Para os ossos: proteína, cálcio, vitamina D e atividade física.

fonte: Aula 6

MNA (mini avaliação nutricional)

Triagem de risco de desnutrição no idoso. Os números usados na aula:

pontuação na aularesultado
≥ 23estado satisfatório
17 a 23,5risco de desnutrição
< 17desnutrição

Atenção: esses números são do MNA completo (30 pontos), que normalmente usa 24 ou mais como normal. A forma reduzida (MNA-SF, 14 pontos) usa 12 a 14 normal, 8 a 11 risco e 0 a 7 desnutrição. Veja qual versão a prova pede e diga sempre qual usou.

fonte: Aula 6

energia, proteína e água do idoso

Para o idoso estável, segundo a diretriz da BRASPEN apresentada na aula.

necessidadevalor
energia (VET)cerca de 30 kcal/kg/dia
proteína, idoso estável1,0 a 1,2 g/kg/dia
proteína, doença aguda ou crônica1,2 a 1,5 g/kg/dia (até 2,0 em hipercatabolismo grave)
carboidratos50 a 55% do VET
lipídios20 a 35% do VET
fibras25 g/dia ou mais
líquidos1,4 L ou mais (mulheres) e 2,0 L ou mais (homens)
micronutrientes com atençãovitamina D, B1, B6, B12, folato, zinco, ferro, cálcio, potássio e vitamina E

A proteína só se restringe na doença renal crônica avançada, sem diálise. A desidratação é um dos principais problemas junto com a desnutrição.

fonte: Aula 6 (BRASPEN e ESPEN)

métodos de inquérito alimentar

métodovantagemlimite
recordatório de 24 hrápido, barato, não exige que a pessoa saiba lerdepende da memória
diário alimentarregistra na hora em que comeexige colaboração e saber ler e escrever
frequência alimentar (QFA)mostra o consumo habitualpouco preciso nas quantidades e depende da memória

No idoso, a memória pode falhar. Peça ajuda a quem convive e prepara a comida.

fonte: Aula 6

calculadoras

Digite os dados e veja a conta, a classificação e uma frase pronta para a resposta. Para altura, use metros (1,55) ou centímetros (155). Escolha uma calculadora:

IMC do idoso

IMC (kg/m²)classificação

Vale para 60 anos ou mais. Para adultos e gestantes os pontos de corte são outros.

% de perda de peso

Sem o prazo não dá para classificar a perda (Blackburn). Pergunte também se foi de propósito.

peso ideal e adequação do peso

Usa o IMC médio de 24,5 kg/m² para o idoso, como na Apostila. Confira se a prova pede outro valor.

circunferência da panturrilha (CP)

CMB e adequação da CMB

Sem o percentil 50 a conta para na CMB. A adequação precisa do valor da tabela de referência usada na aula ou na prova.

altura estimada (Chumlea)

Para quem não consegue ficar em pé. A altura estimada vale para calcular o IMC.

peso estimado (Chumlea)

Na equação simplificada, deixe CP e DCSE em branco. Digite a altura estimada na calculadora acima para ver também o IMC.

energia, proteína e água

Energia de cerca de 30 kcal/kg/dia. Em edema, obesidade ou desnutrição grave, o peso a usar pede julgamento clínico. A proteína só se restringe na doença renal crônica avançada sem diálise.

casos

Três casos fictícios para treinar. Tente responder, use as calculadoras se precisar e só depois abra a resposta.

seu Antônio

peso "normal", mas com risco
idade
78 anos
peso atual
70 kg
peso há 3 meses
76 kg
altura
1,68 m
panturrilha
30 cm
albumina
3,4 g/dL
hemoglobina
12,1 g/dL
queixas
come menos, dentadura solta
medicamentos
metformina e omeprazol
  1. Calcule o IMC e classifique.
  2. Calcule o % de perda de peso e classifique.
  3. O que a panturrilha e os exames sugerem?
  4. Que exame faz sentido pedir por causa dos remédios?
  5. Quais são as necessidades de energia e proteína?
resposta de seu Antônio
  1. IMC70 ÷ 1,68² = 24,8 kg/m². Eutrofia para o idoso (22 a 27). Só o IMC não mostra o problema.
  2. perda de peso(76 − 70) ÷ 76 × 100 = 7,9% em 3 meses. Acima de 7,5%, é perda grave (Blackburn).
  3. panturrilha e examesCP de 30 cm é menor que 31, sinal de alerta para perda de músculo. Albumina de 3,4 está abaixo de 3,5 e a hemoglobina de 12,1 está abaixo de 13 (homem). Albumina sozinha não prova desnutrição, então vale olhar a PCR. O conjunto indica risco nutricional alto.
  4. exame pelos remédiosVitamina B12. Metformina com omeprazol diminui a absorção, e a anemia leve reforça a suspeita.
  5. energia e proteínaEnergia: 30 × 70 = 2.100 kcal/dia. Proteína (idoso estável): 1,0 a 1,2 g/kg, ou 70 a 84 g/dia. Antes do cardápio, descubra por que ele come menos (dentadura, apetite, remédios) e avalie a força.

dona Neusa

acamada, sem balança
idade
82 anos, mulher
situação
acamada, não dá para pesar nem medir em pé
altura do joelho (AJ)
47 cm
panturrilha (CP)
28 cm
braço (CB)
24 cm
dobra subescapular (DCSE)
10 mm
  1. Estime a altura e o peso.
  2. Calcule o IMC e classifique.
  3. O que a panturrilha sugere?
resposta de dona Neusa
  1. altura e peso estimadosAltura = 84,88 + (1,83 × 47) − (0,24 × 82) = 151,2 cm. Peso = (1,27 × 28) + (0,87 × 47) + (0,98 × 24) + (0,4 × 10) − 62,35 = 41,6 kg.
  2. IMC41,6 ÷ 1,512² = 18,2 kg/m². Baixo peso para o idoso (abaixo de 22).
  3. panturrilha28 cm é menor que 31, sinal de alerta para perda de músculo. Ela sozinha não diagnostica sarcopenia, mas junto com o baixo peso pede atenção à ingestão e à proteína.

dona Rita

excesso de peso e pouco músculo
idade
68 anos
peso
78 kg
altura
1,56 m
panturrilha
30 cm
força de preensão
baixa (dinamometria)
queixa
cansa ao subir escada
  1. Calcule o IMC e classifique.
  2. Ela está acima do peso, então não corre risco muscular?
  3. Que pontos avaliar e que cuidado ter na conduta?
resposta de dona Rita
  1. IMC78 ÷ 1,56² = 32,1 kg/m². Excesso de peso para o idoso (acima de 27).
  2. risco muscularPode ter, sim. Sarcopenia não é "idoso magro". Panturrilha de 30 cm (abaixo de 31) e força de preensão baixa são alertas de pouco músculo, mesmo com excesso de peso.
  3. avaliar e conduzirAvaliar força, quantidade de músculo (bioimpedância, DXA ou antropometria) e desempenho (velocidade de marcha, timed up and go). Na conduta, proteger o músculo: proteína adequada e atividade física, sem uma restrição que faça perder massa magra.

lembretes

Situações em que é fácil errar, na prova ou na consulta, e o que fazer em cada uma.

interpretação

IMC do idoso

faça assim: a tabela do adulto não vale. No idoso, abaixo de 22 é baixo peso, de 22 a 27 é eutrofia e acima de 27 é excesso de peso (Aula 6).

interpretação

Peso adequado quer dizer estado nutricional adequado?

faça assim: não. Olhe a perda de peso, a panturrilha, a força, a ingestão e os exames. O IMC não separa músculo de gordura.

interpretação

Panturrilha de 31 cm ou mais

faça assim: é um bom sinal, mas a CP sozinha não diagnostica sarcopenia. Abaixo de 31 é alerta e pede avaliar força e desempenho.

interpretação

Sarcopenia é só no idoso magro?

faça assim: não. Pessoas com sobrepeso ou obesidade também perdem músculo. Avalie força, quantidade de músculo e desempenho físico.

exames

Albumina baixa

faça assim: não conclua desnutrição. Inflamação, hidratação, fígado e perdas também baixam a albumina. Leia junto com a PCR.

exames

Metformina com omeprazol

faça assim: pense na vitamina B12, porque a absorção diminui. Cansaço, anemia e formigamento reforçam a suspeita.

cálculo

Perda de peso

faça assim: use (usual − atual) ÷ usual × 100 e sempre informe o prazo. De 70 para 63 kg em 3 meses é 10%, perda grave.

cálculo

Não dá para pesar nem medir?

faça assim: use as equações de Chumlea, com altura do joelho, panturrilha, braço e dobra subescapular. Depois calcule o IMC com os valores estimados.

cálculo

Quanto de proteína?

faça assim: 1,0 a 1,2 g/kg/dia no idoso estável e 1,2 a 1,5 na doença. Só restrinja na doença renal crônica avançada sem diálise. Confira se o valor está em g/dia ou g/kg/dia.

cálculo

Qual MNA a prova pede?

faça assim: a aula traz 23, 17 a 23,5 e abaixo de 17. A forma reduzida usa 12 a 14, 8 a 11 e 0 a 7. Diga sempre qual versão usou.

clínica

Idoso comendo menos

faça assim: pergunte por quê antes de montar o cardápio. Pode ser apetite, paladar, dentes, engasgo, tristeza, remédio, dependência, dinheiro ou doença.

clínica

Hidratação

faça assim: o idoso sente menos sede. Procure pelo menos 1,4 L por dia nas mulheres e 2,0 L nos homens, contando chás, sucos e sopas.

teste rápido: dois idosos têm IMC 24. O que você pergunta antes de concluir?

Pergunte quanto e em quanto tempo o peso mudou e se foi de propósito, como estão a panturrilha e a força, por que está comendo menos, quais remédios usa, como estão mastigação e deglutição e o que aparece nos exames. Um idoso estável, forte e com boa alimentação e outro que perdeu 6 kg em 3 meses podem ter o mesmo IMC e quadros opostos.

fonte: Aula 6 e Apostila (2013)

glossário

Siglas e termos usados na avaliação do idoso. Digite para buscar.

avaliação

ABCD
antropometria, bioquímica, clínica e dietética: as quatro dimensões da avaliação nutricional
anamnese
conversa inicial sobre queixa, histórico de saúde, hábitos e medicamentos
estado nutricional
situação do corpo em relação ao que a pessoa consome e precisa: eutrofia, desnutrição ou excesso de peso
eutrofia
estado nutricional adequado. No idoso, IMC de 22 a 27
triagem nutricional
avaliação rápida para saber quem tem risco nutricional e precisa de avaliação completa
MNA
mini avaliação nutricional: triagem de risco de desnutrição no idoso. Existe a versão completa e a reduzida (MNA-SF)
MNA-SF
forma reduzida do MNA, com 14 pontos
R24h
recordatório alimentar de 24 horas: a pessoa relata tudo o que comeu e bebeu no dia anterior. Depende da memória
QFA
questionário de frequência alimentar: mostra o consumo habitual
diário alimentar
registro dos alimentos feito na hora em que a pessoa come. Exige colaboração e saber escrever
AVD
atividades da vida diária: tomar banho, vestir-se, comer, andar. Mostram a autonomia do idoso
SISVAN
Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, que traz orientações para avaliar o idoso

antropometria

IMC
índice de massa corporal: peso em kg dividido pela altura em metros ao quadrado. Não separa músculo de gordura
CB
circunferência do braço
DCT
dobra cutânea tricipital: espessura da dobra de pele e gordura no tríceps
DCSE
dobra cutânea subescapular: dobra medida abaixo da escápula, usada na equação de peso de Chumlea
CMB
circunferência muscular do braço: CB − [3,14 × (DCT ÷ 10)]. Estima a massa muscular
adequação da CMB
CMB dividida pelo percentil 50 da tabela, vezes 100
AMBc
área muscular do braço corrigida: outra forma de estimar a massa muscular a partir do braço
CP
circunferência da panturrilha. Abaixo de 31 cm é sinal de alerta para perda de músculo
AJ
altura do joelho: medida usada para estimar altura e peso de quem não consegue ficar em pé
equações de Chumlea
fórmulas que estimam altura e peso a partir de AJ, CP, CB e DCSE, para idosos acamados ou que não podem ser medidos
peso usual
o peso habitual da pessoa, antes da mudança que está sendo avaliada
peso ideal
no idoso, IMC médio de 24,5 multiplicado pela altura ao quadrado (Apostila)
adequação do peso
peso atual dividido pelo ideal, vezes 100
%PP
porcentagem de perda de peso: (usual − atual) ÷ usual × 100. Só se classifica sabendo o prazo (Blackburn)
massa magra
tudo o que não é gordura: músculos, ossos, água e órgãos
massa gorda
a gordura do corpo
DXA
exame de imagem que mede massa óssea, muscular e de gordura. Usado para avaliar sarcopenia
BIA
bioimpedância: aparelho que estima a composição corporal passando uma corrente elétrica fraca

clínica e função

sarcopenia
perda de força e de quantidade e qualidade do músculo, com pior desempenho físico. O consenso atual (EWGSOP2) dá prioridade à força
dinamometria
medida da força de preensão da mão com um dinamômetro
velocidade da marcha
tempo que a pessoa leva para andar uma distância curta. Mede o desempenho físico
timed up and go
teste em que a pessoa levanta da cadeira, anda um trecho e volta a sentar. Mede mobilidade e equilíbrio
fragilidade
estado de menor reserva do corpo, em que o idoso se recupera pior de doenças e quedas
obesidade sarcopênica
excesso de gordura junto com pouco músculo e pouca força
disfagia
dificuldade de engolir, com risco de engasgo e de comer menos
polifarmácia
uso de vários medicamentos ao mesmo tempo. Aumenta o risco de interações e de perda de apetite
interação fármaco-nutriente
quando um remédio atrapalha a absorção ou o uso de um nutriente. Exemplo: metformina e omeprazol diminuem a absorção de B12
desidratação
falta de água no corpo. No idoso é comum, porque a sede diminui
osteoporose
perda de massa óssea. Cuidados: proteína, cálcio, vitamina D e atividade física
osteomalácia
amolecimento dos ossos, ligado à falta de vitamina D
semiologia nutricional
exame físico em busca de sinais de desnutrição ou carências
edema
inchaço por acúmulo de líquido. Pode esconder a perda de peso e mudar o IMC
glossite
inflamação da língua. Pode indicar falta de vitaminas do complexo B
hipogeusia
diminuição do paladar. Pode indicar falta de zinco ou vitamina A
parestesia
formigamento ou dormência. Pode indicar falta de B12 ou tiamina
desnutrição
déficit de energia e nutrientes que afeta o corpo. Pode vir com perda de peso e de massa muscular
risco nutricional
chance de desenvolver ou piorar a desnutrição, identificada na triagem

exames

glicemia de jejum
glicose no sangue após o jejum. A partir de 126 mg/dL sugere diabetes
CT
colesterol total. Alerta na aula: acima de 200 mg/dL
HDL
colesterol "bom". Alerta na aula: abaixo de 36 mg/dL
LDL
colesterol "ruim". Alerta na aula: acima de 159 mg/dL
albumina
proteína do sangue. Abaixo de 3,5 g/dL é alerta de risco nutricional, mas também cai na inflamação
PCR
proteína C reativa: marcador de inflamação. Alerta na aula: acima de 0,5 mg/dL
hemoglobina
proteína que carrega o oxigênio. Alerta: abaixo de 13 g/dL em homens e 12 g/dL em mulheres
vitamina B12
vitamina ligada à formação do sangue e dos nervos. Sua absorção diminui com metformina e omeprazol

dietética

VET
valor energético total: a energia que a pessoa precisa por dia. No idoso, cerca de 30 kcal/kg
g/kg/dia
gramas por quilo de peso por dia. Multiplique pelo peso para chegar em g/dia
fibras
no idoso, 25 g por dia ou mais
BRASPEN
sociedade brasileira de nutrição parenteral e enteral, cuja diretriz traz as recomendações de energia e proteína do idoso
ESPEN
sociedade europeia de nutrição clínica e metabolismo, que traz recomendações sobre hidratação do idoso
EWGSOP2
consenso europeu sobre sarcopenia, atualizado em 2019
feito por Anna Luiza · @annaluizasds