AnnaLabsavaliação nutricional

adulto: o raciocínio por trás dos números

ABCD: antropometria, bioquímica, clínica e dietética. Cada número só faz sentido junto com os outros.

ir direto para

o diagnóstico vem da integração dos dados, não de um número isolado

as quatro dimensões da avaliação

A avaliação do adulto usa o método ABCD. Nenhuma dimensão conta a história inteira sozinha, por isso o diagnóstico nutricional é construído juntando as quatro.

A

antropometria

O que o corpo mostra em medidas.

  • peso, estatura e IMC
  • cintura e quadril
  • perda de peso recente
  • composição corporal
B

bioquímica

O que os exames mostram por dentro.

  • glicemia e HbA1c
  • perfil lipídico
  • hemoglobina e ferritina
  • PCR e albumina
C

clínica

O que o exame físico e a história contam.

  • sinais e sintomas
  • doenças associadas
  • medicamentos
  • sono e atividade física
D

dietética

O que e como a pessoa come.

  • recordatório de 24 h
  • frequência alimentar
  • diário alimentar
  • qualidade e padrão das refeições
fonte: Aula 5, avaliação nutricional do adulto

o caminho do raciocínio

Cinco passos para pensar um caso. Cada cartão mostra, na prática, o que fazer com a Anna, uma paciente fictícia.

  1. 1

    medir

    coletar os dados do paciente

    com a Anna68 kg, 1,62 m e cintura de 84 cm. IMC = 68 ÷ 1,62² = 25,9 kg/m²
  2. 2

    comparar

    colocar cada medida na tabela de referência

    com a AnnaIMC 25,9 cai em pré-obesidade (25 a 29,9). Cintura de 84 cm passa de 80, risco aumentado para mulheres
  3. 3

    interpretar

    olhar os exames e dizer o que cada um mostra

    com a Annaglicemia de jejum 104 (pré-diabetes é 100 a 125), HDL 42 (baixo para mulher) e triglicerídeos 160 (alto)
  4. 4

    integrar

    juntar tudo e ver o quadro completo

    com a Annacintura, triglicerídeos e HDL alterados são 3 dos 5 critérios de síndrome metabólica: risco cardiometabólico
  5. 5

    decidir

    escolher a conduta com base no quadro

    com a Annapriorizar a redução da gordura abdominal e a qualidade da alimentação, e repetir os exames depois

arraste para o lado para ver os outros passos

fonte: Aula 6

Material de estudo feito por uma estudante de nutrição a partir das aulas da disciplina. Não substitui a avaliação de um profissional nem serve como diagnóstico.

atendimento

O passo a passo da consulta, na ordem em que acontece. Marque o que já fez. As marcações ficam salvas neste aparelho.

conversa inicial

anamnese e clínica (C)

consumo alimentar (D)

medidas (A)

exames (B)

triagem de risco nutricional

Quando o caso pede, como no paciente hospitalizado.

diagnóstico integrado

conduta e retorno

fonte: Aulas 5 e 6 e simulação de consulta

exames

Cada marcador com a referência, o motivo do pedido e o que o resultado sugere, em quatro grupos de exames que costumam ser pedidos juntos. Escolha um grupo:

Os valores de referência variam um pouco entre laboratórios. No exame real, confira sempre o intervalo impresso no laudo.

grupo 1

glicemia

Os três exames que mostram como o corpo lida com a glicose. Costumam ser pedidos juntos para fechar o diagnóstico de pré-diabetes e diabetes.

glicemia de jejum

normal: abaixo de 100 mg/dLpré-diabetes: 100 a 125diabetes: 126 ou mais

por que pedir: mostra a glicose circulante depois do jejum. É o exame de triagem mais usado.

se alterado: entre 100 e 125 indica pré-diabetes e a partir de 126, diabetes. O diagnóstico precisa de confirmação com pelo menos dois exames alterados.

hemoglobina glicada (HbA1c)

normal: abaixo de 5,7%pré-diabetes: 5,7 a 6,4%diabetes: 6,5% ou mais

por que pedir: mostra a média da glicemia dos últimos 2 a 3 meses, sem depender do jejum do dia.

se alterado: valor alto indica glicemia elevada por semanas. Em anemias, o resultado pode enganar, então confira com a glicemia.

TOTG (teste de tolerância à glicose)

2 h normal: abaixo de 140 mg/dL2 h pré-diabetes: 140 a 1992 h diabetes: 200 ou mais

por que pedir: mede a glicemia depois de beber uma dose de glicose. Pega alterações depois das refeições que o jejum não mostra.

se alterado: a diretriz de 2025 também aceita a medida de 1 hora: abaixo de 155 normal, 155 a 208 pré-diabetes e 209 ou mais diabetes.

painel de raciocínio

  • Glicemia de jejum normal e HbA1c alterada: a glicose sobe em outros horários, vale pensar no TOTG.
  • Glicemia alta, triglicerídeos altos, HDL baixo e cintura aumentada juntos: pensar em resistência à insulina e síndrome metabólica.
  • HbA1c que não combina com a glicemia: olhe o hemograma, porque a anemia muda a HbA1c.

mini-caso: Lúcia

idade
48 anos
cintura
92 cm
glicemia de jejum
112 mg/dL
HbA1c
5,9%
triglicerídeos
165 mg/dL
  1. Como classificar a glicemia e a HbA1c?
  2. Quantos critérios de síndrome metabólica já aparecem?
resposta de Lúcia
  1. classificaçãoGlicemia de 112 está entre 100 e 125 e a HbA1c de 5,9% está entre 5,7 e 6,4%. Os dois indicam pré-diabetes, e um confirma o outro.
  2. síndrome metabólicaTrês critérios: cintura de 92 cm (≥ 80 em mulheres), triglicerídeos de 165 (≥ 150) e glicemia de 112 (≥ 100). Com três, fecha, e o risco de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular é alto. O HDL e a pressão ainda faltam para completar o quadro.
fonte: SBD, atualização de 2025 (critérios diagnósticos), via Afya
grupo 2

perfil lipídico

Colesterol e gordura no sangue. São dosados juntos, e o padrão entre eles diz mais do que cada valor sozinho.

colesterol total (CT)

desejável: abaixo de 190 mg/dL

por que pedir: soma o colesterol de todas as lipoproteínas. É um retrato geral.

se alterado: alto pede olhar as frações. O mesmo CT pode ter LDL alto ou HDL alto, com significados opostos.

LDL

sem valor normal únicometa por risco: abaixo de 115 (baixo)100 (intermediário), 70 (alto)50 (muito alto), 40 (extremo)

por que pedir: leva colesterol aos tecidos e é o principal alvo do tratamento.

se alterado: quanto maior, mais colesterol se deposita nas artérias. A meta fica mais baixa quanto maior o risco cardiovascular da pessoa.

não-HDL

CT menos HDLmetas: 145, 130, 100, 80 e 70(do risco baixo ao extremo)

por que pedir: reúne todas as lipoproteínas que fazem mal às artérias e não depende de jejum.

se alterado: útil quando os triglicerídeos estão altos, porque aí o LDL calculado fica menos confiável.

HDL

baixo: abaixo de 40 mg/dL em homensbaixo: abaixo de 50 em mulheres

por que pedir: recolhe colesterol dos tecidos e leva ao fígado. Aqui, valor mais alto é melhor.

se alterado: baixo é um dos critérios da síndrome metabólica e costuma vir junto com triglicerídeos altos.

triglicerídeos (TG)

alto: 150 mg/dL ou mais, em jejumalto: 175 ou mais, sem jejum

por que pedir: mostra a gordura circulante, muito ligada à gordura abdominal, ao álcool e aos carboidratos simples.

se alterado: alto com HDL baixo é o padrão da resistência à insulina. Acima de 440, repita em jejum para confirmar.

painel de raciocínio

  • TG alto e HDL baixo juntos: padrão de resistência à insulina, procure os outros critérios da síndrome metabólica.
  • LDL alto com TG normal: pense em alimentação rica em gordura saturada e na história familiar.
  • Pela diretriz de 2025, o perfil lipídico não precisa de jejum, exceto para confirmar TG acima de 440.

mini-caso: Renato

colesterol total
230 mg/dL
LDL
150 mg/dL
HDL
38 mg/dL
triglicerídeos
210 mg/dL em jejum
  1. O que está alterado?
  2. Qual o não-HDL e o que o padrão sugere?
resposta de Renato
  1. alteraçõesO LDL de 150 está acima das metas de todas as categorias de risco. O HDL de 38 é baixo para homens (abaixo de 40) e os triglicerídeos de 210 estão altos (150 ou mais).
  2. não-HDL e padrãoNão-HDL = 230 − 38 = 192, acima de todas as metas. TG alto com HDL baixo sugere resistência à insulina, então vale procurar cintura, glicemia e pressão.
fonte: SBC, Diretriz de Dislipidemias 2025 (metas de LDL, não-HDL e TG), via resumo da Afya; HDL: corte da síndrome metabólica (IDF e NCEP)
grupo 3

hemograma e ferro

O conjunto que investiga anemia e a causa dela. Hemoglobina, tamanho dos glóbulos, reserva de ferro e B12 se completam.

hemoglobina

anemia: abaixo de 13 g/dL em homensanemia: abaixo de 12 em mulheres(não grávidas, OMS 2024)

por que pedir: carrega o oxigênio. É o exame que diz se existe anemia.

se alterado: baixa indica anemia, mas não diz a causa. Para isso, olhe o VCM, a ferritina e a B12.

VCM

normal: 80 a 100 fLpequeno: abaixo de 80grande: acima de 100

por que pedir: mostra o tamanho médio dos glóbulos vermelhos.

se alterado: pequeno sugere falta de ferro. Grande sugere falta de B12 ou de folato.

ferritina

reservas baixas: abaixo de 30 ng/mL, nas diretrizes recentesOMS usa abaixo de 15com inflamação: abaixo de 100

por que pedir: mostra o ferro guardado no corpo, antes mesmo de a anemia aparecer.

se alterado: baixa indica reservas esgotadas. Mas a ferritina sobe na inflamação, então uma ferritina normal com PCR alta pode esconder falta de ferro.

vitamina B12

baixa: abaixo de 200 pg/mLlimítrofe: 200 a 300normal: acima de 300

por que pedir: é necessária para o sangue e para os nervos. Sua absorção depende do ácido do estômago.

se alterado: baixa pode vir de dieta vegetariana restrita, gastrite atrófica, cirurgia no estômago e uso prolongado de metformina e de omeprazol. Na faixa limítrofe, ácido metilmalônico e homocisteína ajudam a decidir.

painel de raciocínio

  • Hb baixa, VCM pequeno e ferritina baixa: falta de ferro.
  • Hb baixa e VCM grande: pensar em B12 ou folato.
  • Hb baixa, ferritina normal ou alta e PCR alta: anemia da inflamação, a ferritina engana.
  • Hb normal e ferritina baixa: reserva de ferro esgotada, ainda sem anemia.

mini-caso: Joana

idade
34 anos, vegetariana
queixa
cansaço
hemoglobina
10,8 g/dL
VCM
108 fL
B12
150 pg/mL
ferritina
60 ng/mL
PCR
2 mg/L
  1. Existe anemia? De que tipo?
  2. Qual a causa mais provável?
resposta de Joana
  1. tipoHb de 10,8 está abaixo de 12, então há anemia. O VCM de 108 passa de 100, anemia com glóbulos grandes.
  2. causaB12 de 150 está abaixo de 200, deficiência. A ferritina de 60 está normal e a PCR de 2 não indica inflamação, então não é ferro nem inflamação. A causa mais provável é a falta de B12 pela dieta vegetariana sem reposição.
fonte: OMS 2024 (hemoglobina); OMS 2020 e ASH 2026 (ferritina); protocolo de B12 do HU da UFC; VCM: valores laboratoriais padrão
grupo 4

inflamação e proteínas

PCR e albumina. Na avaliação nutricional, a primeira pergunta é se existe inflamação, porque ela muda como ler os outros exames.

PCR (proteína C reativa)

normal: abaixo de 5 mg/Lleve: 5 a 10moderada: 10 a 50acentuada: acima de 50

por que pedir: é um marcador de inflamação feito pelo fígado quando as citocinas sobem. Mostra se há inflamação em curso.

se alterado: alta indica inflamação, e com ela a albumina e a ferritina perdem confiança. A PCR ultrassensível acima de 3 mg/L indica risco cardiovascular aumentado.

albumina

referência: 3,5 a 5,0 g/dL(varia entre laboratórios)

por que pedir: é a principal proteína do sangue e mostra a síntese do fígado. Demora cerca de 20 dias para mudar.

se alterado: cai na inflamação e na doença do fígado e do rim. Sozinha, não prova desnutrição, e não detecta desnutrição recente.

painel de raciocínio

  • Albumina baixa e PCR alta: provavelmente a inflamação derrubou a albumina, não confirme desnutrição só por isso.
  • Albumina baixa e PCR normal: olhe a ingestão, o fígado, o rim e perdas de proteína.
  • PCR alta: interprete a ferritina e a albumina com cuidado. A obesidade também pode elevar a PCR um pouco.

mini-caso: Marcos

idade
58 anos
situação
internado com pneumonia
perda de peso
6 kg em 1 mês
albumina
2,8 g/dL
PCR
85 mg/L
  1. A albumina baixa confirma desnutrição?
  2. O que mais você precisa avaliar?
resposta de Marcos
  1. albuminaNão. A PCR de 85 é acentuada (acima de 50), então há inflamação aguda, que derruba a albumina. Ela também muda devagar, então não mostra desnutrição recente.
  2. o que faltaCalcular o % de perda de peso (precisa do peso usual), medir cintura e massa muscular, e levantar a ingestão. A desnutrição se fecha juntando A, B, C e D, nunca com a albumina sozinha.
fonte: PCR, via Sanar; albumina: referência laboratorial padrão. A faixa varia entre laboratórios

métricas

Tabelas de pontos de corte para consulta rápida, cada uma com a fonte. Escolha uma:

IMC do adulto

IMC (kg/m²)classificação
< 16magreza grau III
16 a 16,9magreza grau II
17 a 18,4magreza grau I
18,5 a 24,9eutrofia
25 a 29,9pré-obesidade
30 a 34,9obesidade grau I
35 a 39,9obesidade grau II
≥ 40obesidade grau III
fonte: OMS, Apostila (2013) e Manual

adequação do peso

Peso atual ÷ peso ideal × 100

adequaçãoestado nutricional
≤ 70%desnutrição grave
70,1 a 80%desnutrição moderada
80,1 a 90%desnutrição leve
90,1 a 110%eutrofia
110,1 a 120%sobrepeso
> 120%obesidade
fonte: Apostila (2013) e Manual

perda de peso por tempo

(peso usual − peso atual) ÷ peso usual × 100

temposignificativagrave
1 semana1 a 2%> 2%
1 mês5%> 5%
3 meses7,5%> 7,5%
6 meses10%> 10%
fonte: Blackburn et al., 1977

cintura e relações

medidahomensmulheres
cintura, risco aumentado94 a 102 cm80 a 88 cm
cintura, risco muito aumentado> 102 cm> 88 cm
relação cintura-quadril (risco)≥ 1,0≥ 0,85
relação cintura-estatura (risco)> 0,50, para os dois sexos
fonte: OMS, Apostila (2013) e Manual

síndrome metabólica

Está presente quando 3 dos 5 critérios estão alterados. É uma classificação de risco, não uma doença.

critérioponto de corte
cinturahomens ≥ 90 cm e mulheres ≥ 80 cm (IDF, população latina). No critério NCEP: homens > 102 cm e mulheres > 88 cm
triglicerídeos≥ 150 mg/dL
HDL< 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres
pressão arterial≥ 130 / 85 mmHg (basta um dos dois valores)
glicemia de jejum≥ 100 mg/dL

Atenção: a regra do IDF original exige cintura alterada mais 2 dos outros 4. Na aula, vale a regra de 3 dos 5.

fonte: IDF e NCEP ATP III, conforme revisões em português

peso ideal e peso ajustado

IMC médiohomens 22 e mulheres 21 kg/m²
peso idealIMC médio × altura²
ajustado, IMC > 30(atual − ideal) × 0,25 + ideal
ajustado, IMC < 18(ideal − atual) × 0,25 + atual

O peso ajustado serve só para calcular calorias e proteína.

fonte: Apostila (2013)

energia, proteína e água

situaçãovalor
kcal/kg, paciente crítico20 a 25
kcal/kg, manutenção25 a 30
kcal/kg, ganho de peso30 a 35
proteína sem estresse0,8 g/kg/dia
proteína, estresse leve1,0 a 1,2 g/kg/dia
proteína, estresse moderado1,2 a 1,5 g/kg/dia
proteína, estresse intenso1,5 a 2,0 g/kg/dia
água, adulto35 mL/kg/dia
fonte: Apostila (2013)

calculadoras

Digite os dados e veja a conta, a classificação e uma frase pronta para a resposta. Para altura, use metros (1,74) ou centímetros (174). Escolha uma calculadora:

IMC

IMC (kg/m²)classificação

Vale para adultos de 18 a 60 anos. Para idosos e gestantes os pontos de corte são outros.

peso ideal e adequação do peso

% de perda de peso

Sem o prazo não dá para classificar a perda (Blackburn).

peso ajustado

Só precisa quando o IMC é maior que 30 ou menor que 18. Serve apenas para calorias e proteína, nunca para IMC nem adequação.

cintura e relações

gasto energético (Harris-Benedict)

Use o peso certo: atual, ou ajustado se o IMC for maior que 30 ou menor que 18. Digite os fatores de atividade e injúria que o caso ou a aula indicar. Deixe 1 para ver só o gasto basal.

síndrome metabólica

Quem usa remédio para pressão, glicemia ou triglicerídeos pode contar o critério como alterado, mesmo com o valor normal. Avalie caso a caso.

casos

Três casos fictícios para treinar. Tente responder, use as calculadoras se precisar e só depois abra a resposta.

Carlos

excesso de peso
peso
95 kg
altura
1,75 m
cintura
110 cm
glicemia de jejum
108 mg/dL
triglicerídeos
180 mg/dL
HDL
38 mg/dL
pressão arterial
134 / 86 mmHg
  1. Calcule o IMC e classifique.
  2. Calcule o peso ideal e a adequação do peso.
  3. O que a cintura mostra?
  4. Quantos critérios de síndrome metabólica ele tem?
  5. Qual peso usar para calcular as calorias?
resposta do Carlos
  1. IMC95 ÷ 1,75² = 31,0 kg/m². Obesidade grau I (30 a 34,9).
  2. peso ideal e adequaçãoPeso ideal = 22 × 1,75² = 67,4 kg. Adequação = 95 ÷ 67,4 × 100 = 140,9%, obesidade (acima de 120%).
  3. cintura110 cm passa de 102, risco muito aumentado em homens. Indica gordura abdominal, a que mais pesa no risco cardiometabólico.
  4. síndrome metabólicaOs 5 critérios estão alterados: cintura, triglicerídeos 180 (≥ 150), HDL 38 (< 40), pressão 134/86 (≥ 130/85) e glicemia 108 (≥ 100). Basta 3, então fecha, com risco alto de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular.
  5. peso para as caloriasComo o IMC é maior que 30, usa o peso ajustado: (95 − 67,4) × 0,25 + 67,4 = 74,3 kg. Ele entra só no cálculo de calorias e proteína. Adequação e IMC continuam com 95 kg.

Marina

eutrofia, mas com risco
peso
62 kg
altura
1,65 m
cintura
86 cm
glicemia de jejum
102 mg/dL
triglicerídeos
170 mg/dL
HDL
44 mg/dL
pressão arterial
128 / 82 mmHg
  1. Calcule o IMC e a adequação do peso.
  2. O peso está bom, então não há risco?
  3. Quantos critérios de síndrome metabólica ela tem?
  4. Ela precisa de peso ajustado?
resposta da Marina
  1. IMC e adequaçãoIMC = 62 ÷ 1,65² = 22,8 kg/m², eutrofia. Peso ideal = 21 × 1,65² = 57,2 kg. Adequação = 62 ÷ 57,2 × 100 = 108,4%, eutrofia (90,1 a 110%).
  2. riscoNão. A cintura de 86 cm está acima de 80 (risco aumentado) e a relação cintura-estatura é 86 ÷ 165 = 0,52, acima de 0,50. O peso normal esconde gordura abdominal.
  3. síndrome metabólica4 critérios: cintura (≥ 80), triglicerídeos 170 (≥ 150), HDL 44 (< 50) e glicemia 102 (≥ 100). A pressão 128/82 não altera. Com 3 ou mais, fecha.
  4. peso ajustadoNão. O IMC está entre 18 e 30, então usa o peso atual.

Paulo

desnutrição
peso atual
52 kg
peso usual
60 kg, há 3 meses
altura
1,72 m
  1. Calcule o IMC e classifique.
  2. Calcule o % de perda de peso e a gravidade.
  3. Calcule o peso ideal e a adequação do peso.
  4. Calcule o peso ajustado e diga para que serve.
resposta do Paulo
  1. IMC52 ÷ 1,72² = 17,6 kg/m². Magreza grau I (17 a 18,4).
  2. perda de peso(60 − 52) ÷ 60 × 100 = 13,3% em 3 meses. Acima de 7,5% no período, então é perda grave (Blackburn).
  3. peso ideal e adequaçãoPeso ideal = 22 × 1,72² = 65,1 kg. Adequação = 52 ÷ 65,1 × 100 = 79,9%, desnutrição moderada (70,1 a 80%).
  4. peso ajustadoComo o IMC é menor que 18: (65,1 − 52) × 0,25 + 52 = 55,3 kg. Serve só para calcular calorias e proteína, para recuperar o peso aos poucos e de forma segura.

lembretes

Situações em que é fácil errar, na prova ou na consulta, e o que fazer em cada uma.

cálculo

Paciente com IMC acima de 30 ou abaixo de 18: usar o peso ajustado?

faça assim: o peso ajustado entra só no cálculo de calorias e proteína. Adequação do peso e IMC usam sempre o peso atual.

cálculo

O valor está em g/dia ou em g/kg/dia?

faça assim: confira a unidade antes de calcular. Em g/kg/dia, multiplique pelo peso em kg para chegar em g/dia.

cálculo

Fórmula com várias operações, como Harris-Benedict

faça assim: calcule cada termo, com a altura em cm, e só depois some e subtraia. Respeite a ordem: parênteses, potências, multiplicação e divisão, soma e subtração.

cálculo

Harris-Benedict tem mais de uma versão

faça assim: a Apostila e a professora usam os coeficientes originais. A versão revisada (Roza e Shizgal) dá outro resultado. Veja qual a prova pede e diga sempre qual usou.

cálculo

Porcentagem de perda de peso

faça assim: use (peso usual − peso atual) ÷ peso usual × 100 e sempre informe o prazo. Sem o tempo, não dá para classificar a perda (Blackburn).

interpretação

Cintura ou relação cintura-quadril?

faça assim: são cortes diferentes. Cintura em mulheres: 80 cm aumentado e 88 cm muito aumentado. Relação cintura-quadril: mulheres a partir de 0,85 e homens a partir de 1,0.

interpretação

IMC de idoso

faça assim: a tabela do adulto não vale. No idoso o ponto de corte é mais alto: abaixo de 22 é baixo peso (Aula 6).

interpretação

Três dos cinco critérios alterados

faça assim: isso é síndrome metabólica como classificação de risco, não uma doença. Ela aponta risco cardiovascular e de diabetes tipo 2.

interpretação

Dois pacientes perderam 5 kg

faça assim: o peso é o mesmo, o significado não: um perdeu gordura, o outro músculo e água. Olhe a composição corporal, a força e os exames.

exames

Hemoglobina baixa

faça assim: não é automaticamente falta de ferro. Olhe a ferritina, a inflamação, o estado fisiológico (como a gestação, que dilui o sangue) e a alimentação.

exames

Albumina baixa

faça assim: ela também cai na inflamação e demora cerca de 20 dias para mudar. Sozinha, não prova desnutrição: olhe junto com a PCR.

teste rápido: dois pacientes têm IMC 28. O que você pergunta antes de concluir?

Pergunte quanto e em quanto tempo o peso mudou, se foi de propósito, como está a cintura, a massa muscular e a força, o que aparece nos exames, o que a pessoa come e quais doenças tem. Alguém com anos de musculação e cintura normal e alguém com perda involuntária de peso e doença crônica podem ter o mesmo IMC e diagnósticos opostos.

fonte: Aulas 5 e 6, Apostila (2013) e Manual de Aulas Práticas

glossário

Siglas e termos usados na prática clínica. Digite para buscar.

avaliação

ABCD
antropometria, bioquímica, clínica e dietética: as quatro dimensões da avaliação nutricional
anamnese
conversa inicial sobre queixa, histórico de saúde, hábitos e medicamentos
estado nutricional
situação do corpo em relação ao que a pessoa consome e precisa: eutrofia, desnutrição ou excesso de peso
eutrofia
estado nutricional adequado, sem déficit nem excesso. No adulto, IMC de 18,5 a 24,9
triagem nutricional
avaliação rápida para saber quem tem risco nutricional e precisa de avaliação completa
NRS-2002
ferramenta de triagem de risco nutricional, usada em pacientes hospitalizados, que combina estado nutricional e gravidade da doença
R24h
recordatório alimentar de 24 horas: a pessoa relata tudo o que comeu e bebeu no dia anterior
QFA
questionário de frequência alimentar: com que frequência a pessoa consome os alimentos de uma lista
diário alimentar
registro dos alimentos feito pelo próprio paciente, em geral por alguns dias

antropometria

IMC
índice de massa corporal: peso em kg dividido pela altura em metros ao quadrado
CC
circunferência da cintura, medida que reflete a gordura abdominal
RCQ
relação cintura-quadril: cintura dividida pelo quadril. Indica como a gordura se distribui
RCE
relação cintura-estatura: cintura dividida pela altura, ambas em cm. Acima de 0,50 indica risco
CB
circunferência do braço
PCT
prega cutânea tricipital: espessura da dobra de pele e gordura no tríceps
CMB
circunferência muscular do braço: CB − (PCT × 3,14 ÷ 10). Estima a massa muscular
AJ
altura do joelho: medida usada para estimar altura e peso de quem não consegue ficar em pé
peso usual
o peso habitual da pessoa, antes da mudança que está sendo avaliada
peso ideal
IMC médio (22 para homens e 21 para mulheres) multiplicado pela altura ao quadrado
peso ajustado
peso corrigido, usado só para calcular calorias e proteína quando o IMC é maior que 30 ou menor que 18
adequação do peso
peso atual dividido pelo ideal, vezes 100
%PP
porcentagem de perda de peso: (usual − atual) ÷ usual × 100. Só se classifica sabendo o prazo (Blackburn)
massa magra
tudo o que não é gordura: músculos, ossos, água e órgãos
massa gorda
a gordura do corpo
sarcopenia
perda de massa e de força muscular. O consenso atual dá prioridade à força
dinamometria
medida da força da mão apertando um aparelho, o dinamômetro

energia e nutrientes

GEB
gasto energético basal, também chamado de TMB: a energia mínima que o corpo gasta em repouso
VET
valor energético total: as calorias totais do dia
GET
gasto energético total: o GEB multiplicado pelos fatores de atividade e de injúria
fator atividade
multiplicador do GEB conforme o nível de atividade física
fator injúria
multiplicador do GEB conforme o estresse causado pela doença ou trauma
Harris-Benedict
equação que estima o GEB a partir de peso, altura, idade e sexo
g/kg/dia
gramas por quilo de peso por dia. Multiplique pelo peso para chegar em g/dia

exames

glicemia de jejum
glicose no sangue após jejum. Abaixo de 100 mg/dL é normal, de 100 a 125 é pré-diabetes e a partir de 126 é diabetes
HbA1c
hemoglobina glicada: mostra a glicemia média dos últimos meses. Abaixo de 5,7% é normal e a partir de 6,5% é diabetes
TOTG
teste oral de tolerância à glicose: mede a glicemia depois de beber uma dose de glicose
CT
colesterol total, a soma do colesterol carregado pelas diferentes lipoproteínas
LDL
lipoproteína que leva colesterol aos tecidos. Quanto menor o valor, melhor
HDL
lipoproteína que recolhe colesterol dos tecidos e leva ao fígado. Aqui, valor mais alto é melhor
TG
triglicerídeos, a gordura circulante. Ficam altos com gordura abdominal e resistência à insulina
hemoglobina
proteína dos glóbulos vermelhos que carrega oxigênio. Baixa na anemia
hematócrito
porcentagem do sangue ocupada pelos glóbulos vermelhos
VCM
volume corpuscular médio, o tamanho médio dos glóbulos vermelhos. Pequenos sugerem falta de ferro e grandes sugerem falta de B12 ou folato
ferritina
proteína que guarda ferro, usada para avaliar as reservas. Sobe na inflamação, então interprete com a PCR
vitamina B12
necessária para o sangue e os nervos. Sua absorção depende do ácido do estômago
albumina
proteína do sangue produzida no fígado. Cai na inflamação e muda devagar, então não mostra desnutrição aguda
PCR
proteína C reativa, marcador indireto de inflamação
TSH
hormônio da hipófise que estimula a tireoide. É o primeiro exame para avaliar a função da tireoide
T4 livre
hormônio da tireoide na forma ativa no sangue, pedido junto com o TSH

clínica

síndrome metabólica
conjunto de alterações (cintura, triglicerídeos, HDL, pressão e glicemia). Com 3 dos 5 critérios, indica risco cardiovascular e de diabetes tipo 2
pré-diabetes
glicemia acima do normal, mas ainda abaixo do limite do diabetes
dislipidemia
alteração das gorduras no sangue, como LDL ou triglicerídeos altos e HDL baixo
resistência à insulina
as células respondem mal à insulina, então o pâncreas produz mais. Está ligada à gordura abdominal
PA
pressão arterial, em mmHg. Valores a partir de 130/85 contam como critério de síndrome metabólica
inflamação
reação de defesa do corpo. Nos exames aparece como PCR alta e muda a interpretação de albumina e ferritina
desnutrição
déficit de energia e nutrientes que afeta o corpo. Pode vir com perda de peso e de massa muscular
risco nutricional
chance de a pessoa desenvolver ou piorar a desnutrição, identificada na triagem
feito por Anna Luiza · @annaluizasds