menos músculo e osso
A massa muscular e óssea diminui e a gordura relativa aumenta. O peso pode ficar igual enquanto o músculo vai embora.
ABCD adaptado à idade: antropometria, bioquímica, clínica e funcional, dietética. No idoso, o peso sozinho engana.
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peso aparentemente adequado não significa estado nutricional adequado
Com o envelhecimento, o corpo, a boca, o apetite, os remédios e a rotina mudam ao mesmo tempo. Por isso o risco de desnutrição, sarcopenia, fragilidade e desidratação é maior, e a avaliação usa outros pontos de corte e outras perguntas.
A massa muscular e óssea diminui e a gordura relativa aumenta. O peso pode ficar igual enquanto o músculo vai embora.
A água corporal cai e a sede é menos sentida. A desidratação aparece fácil e passa despercebida.
Come-se menos, muitas vezes sem perceber. Por trás disso pode haver doença, remédio, tristeza ou solidão.
Dentes, prótese, mastigação, disfagia e a perda de gosto e cheiro tornam a comida menos atraente e mais difícil.
A absorção de nutrientes muda e é comum usar vários medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia), que podem atrapalhar nutrientes.
Alterações cognitivas, dificuldade para andar, comprar, cozinhar ou comer sozinho pesam tanto quanto um exame.
O estado nutricional do idoso não é só o peso. Depende de poder comprar e preparar a comida, de comer acompanhado, de mastigar, engolir e manter a rotina.
fonte: Aula 6, avaliação nutricional do idosoO método ABCD continua valendo. O que muda é o que se mede e como se interpreta cada resultado.
O que o corpo mostra em medidas.
O que os exames mostram por dentro.
O que o exame físico, a história e a função contam.
O que e como a pessoa come.
Cinco passos para pensar um caso. Cada cartão mostra, na prática, o que fazer com a dona Helena, uma paciente fictícia.
coletar os dados, incluindo o peso de antes
colocar cada medida na tabela do idoso
olhar os exames e dizer o que cada um mostra
juntar tudo e ver o quadro completo
escolher a conduta com base no quadro
arraste para o lado para ver os outros passos
fonte: Aula 6Material de estudo feito por uma estudante de nutrição a partir das aulas da disciplina. Não substitui a avaliação de um profissional nem serve como diagnóstico.
O passo a passo da consulta com o idoso, na ordem em que acontece. Marque o que já fez. As marcações ficam salvas neste aparelho.
Se houver acompanhante ou cuidador, converse com os dois.
A pergunta que vem antes de qualquer cardápio.
Aqui estão os alertas de exames da aula do idoso e o que olhar no exame físico. Para os marcadores completos, com todas as faixas e o raciocínio, veja a página do adulto. Escolha um grupo:
Os valores de referência variam um pouco entre laboratórios. No exame real, confira sempre o intervalo impresso no laudo.
Os alertas usados na aula do idoso e um exame que merece atenção por causa dos remédios.
por que pedir: o diabetes é comum no idoso e muda a conduta alimentar e os medicamentos.
se alterado: glicemia alta aponta para diabetes. O diagnóstico precisa de confirmação com outro exame.
por que pedir: mostram o risco cardiovascular, que continua importante com a idade.
se alterado: a aula usa HDL abaixo de 36 como alerta. Para fechar síndrome metabólica, os cortes são 40 (homem) e 50 (mulher).
por que pedir: é usada como marcador de risco nutricional.
se alterado: albumina baixa não é igual a desnutrição. Inflamação, hidratação, fígado e perdas também baixam o valor. Leia sempre junto com a PCR.
por que pedir: mostra se existe inflamação.
se alterado: PCR alta junto com albumina baixa sugere que a inflamação explica a albumina. Sem inflamação e com perda de peso, o risco nutricional pesa mais.
por que pedir: a anemia é frequente no idoso e causa cansaço, fraqueza e queda de função.
se alterado: pode vir de falta de ferro, B12 ou folato, de inflamação ou de doença crônica. Olhe o conjunto antes de concluir.
por que pedir: metformina e omeprazol usados juntos diminuem a absorção de B12. É uma interação comum no idoso.
se alterado: B12 baixa pode causar cansaço, anemia e formigamento (parestesia). Pense nela diante desses sinais em quem usa esses remédios.
Procure perda de gordura sob a pele, perda de músculo, edema, alterações de pele, mucosas, cabelo e unhas, e como a pessoa mastiga e engole. Alguns sinais sugerem carências:
| sinal | pode sugerir falta de |
|---|---|
| pele seca e escamosa | zinco, ácidos graxos essenciais |
| cicatrização lenta | zinco, vitamina C |
| cabelo fino e quebradiço | proteína |
| sangramento da gengiva | vitamina C |
| língua inflamada (glossite) | vitaminas do complexo B |
| perda de paladar (hipogeusia) | zinco, vitamina A |
| osteomalácia (ossos amolecidos) | vitamina D |
| edema | proteína |
| formigamento (parestesia) | vitamina B12, tiamina |
| fadiga muscular | proteína, selênio, vitamina D |
Um sinal sugere, não confirma. Junte com a história, a alimentação e os exames.
fonte: Aula 6Tabelas de pontos de corte e equações para consulta rápida, cada uma com a fonte. Escolha uma:
Para quem tem 60 anos ou mais
| IMC (kg/m²) | classificação |
|---|---|
| < 22 | baixo peso |
| 22 a 27 | eutrofia |
| > 27 | excesso de peso |
A Apostila separa a faixa de 22 a 24 como risco de déficit e fica com eutrofia de 24 a 27. Veja qual a prova pede.
O IMC não separa músculo de gordura, não mostra onde está a gordura e muda com edema e hidratação.
fonte: Aula 6 e Apostila (2013)(peso usual − peso atual) ÷ peso usual × 100
| tempo | significativa | grave |
|---|---|---|
| 1 semana | 1 a 2% | > 2% |
| 1 mês | 5% | > 5% |
| 3 meses | 7,5% | > 7,5% |
| 6 meses | 10% | > 10% |
Descubra também se a perda foi de propósito, se houve menos ingestão ou doença. Uma idosa que vai de 70 para 63 kg em 3 meses precisa de investigação.
fonte: Blackburn, Aula 6 e Apostila (2013)Peso ideal = IMC médio do idoso (24,5) × altura². Adequação = peso atual ÷ peso ideal × 100
| adequação | estado nutricional |
|---|---|
| ≤ 70% | desnutrição grave |
| 70,1 a 80% | desnutrição moderada |
| 80,1 a 90% | desnutrição leve |
| 90,1 a 110% | eutrofia |
| 110,1 a 120% | sobrepeso |
| > 120% | obesidade |
| CP | o que sugere |
|---|---|
| ≥ 31 cm | menor chance de perda de músculo |
| < 31 cm | sinal de alerta |
A CP sozinha não diagnostica sarcopenia. Ela aponta quem precisa avaliar a força e o desempenho.
fonte: Aula 6CMB = CB − [3,14 × (DCT ÷ 10)]. CB em cm e DCT (dobra do tríceps) em mm. Adequação da CMB = CMB ÷ percentil 50 da tabela × 100
| adequação da CMB | estado nutricional |
|---|---|
| < 70% | desnutrição grave |
| 70 a 79,9% | desnutrição moderada |
| 80 a 89,9% | desnutrição leve |
| 90 a 110% | eutrofia |
| 110,1 a 120% | sobrepeso |
| > 120% | obesidade |
A CMB estima a massa muscular. A AMBc (área muscular do braço corrigida) é uma variação que também entra na avaliação.
fonte: Aula 6 e Apostila (2013)Para o idoso acamado, com dificuldade de ficar em pé ou com postura que atrapalha. AJ = altura do joelho, CP = panturrilha, CB = braço (todas em cm). DCSE = dobra subescapular (mm).
| estimativa | homem | mulher |
|---|---|---|
| altura (cm) | 64,19 + (2,04 × AJ) − (0,04 × idade) | 84,88 + (1,83 × AJ) − (0,24 × idade) |
| peso (kg) | (0,98 × CP) + (1,16 × AJ) + (1,73 × CB) + (0,37 × DCSE) − 81,69 | (1,27 × CP) + (0,87 × AJ) + (0,98 × CB) + (0,4 × DCSE) − 62,35 |
| peso simplificado (AJ e CB, pessoa branca) | (1,10 × AJ) + (3,07 × CB) − 75,81 | (1,09 × AJ) + (2,68 × CB) − 65,51 |
Não é "idoso magro". O consenso europeu atual (EWGSOP2) dá prioridade à força.
| o que avaliar | como |
|---|---|
| força | dinamometria (força de preensão da mão) |
| quantidade e qualidade do músculo | DXA, bioimpedância, antropometria |
| desempenho físico | velocidade da marcha, timed up and go |
Pessoa com sobrepeso ou obesidade também pode ter pouco músculo. Para os ossos: proteína, cálcio, vitamina D e atividade física.
fonte: Aula 6Triagem de risco de desnutrição no idoso. Os números usados na aula:
| pontuação na aula | resultado |
|---|---|
| ≥ 23 | estado satisfatório |
| 17 a 23,5 | risco de desnutrição |
| < 17 | desnutrição |
Atenção: esses números são do MNA completo (30 pontos), que normalmente usa 24 ou mais como normal. A forma reduzida (MNA-SF, 14 pontos) usa 12 a 14 normal, 8 a 11 risco e 0 a 7 desnutrição. Veja qual versão a prova pede e diga sempre qual usou.
fonte: Aula 6Para o idoso estável, segundo a diretriz da BRASPEN apresentada na aula.
| necessidade | valor |
|---|---|
| energia (VET) | cerca de 30 kcal/kg/dia |
| proteína, idoso estável | 1,0 a 1,2 g/kg/dia |
| proteína, doença aguda ou crônica | 1,2 a 1,5 g/kg/dia (até 2,0 em hipercatabolismo grave) |
| carboidratos | 50 a 55% do VET |
| lipídios | 20 a 35% do VET |
| fibras | 25 g/dia ou mais |
| líquidos | 1,4 L ou mais (mulheres) e 2,0 L ou mais (homens) |
| micronutrientes com atenção | vitamina D, B1, B6, B12, folato, zinco, ferro, cálcio, potássio e vitamina E |
A proteína só se restringe na doença renal crônica avançada, sem diálise. A desidratação é um dos principais problemas junto com a desnutrição.
fonte: Aula 6 (BRASPEN e ESPEN)| método | vantagem | limite |
|---|---|---|
| recordatório de 24 h | rápido, barato, não exige que a pessoa saiba ler | depende da memória |
| diário alimentar | registra na hora em que come | exige colaboração e saber ler e escrever |
| frequência alimentar (QFA) | mostra o consumo habitual | pouco preciso nas quantidades e depende da memória |
No idoso, a memória pode falhar. Peça ajuda a quem convive e prepara a comida.
fonte: Aula 6Digite os dados e veja a conta, a classificação e uma frase pronta para a resposta. Para altura, use metros (1,55) ou centímetros (155). Escolha uma calculadora:
| IMC (kg/m²) | classificação |
|---|
Vale para 60 anos ou mais. Para adultos e gestantes os pontos de corte são outros.
Sem o prazo não dá para classificar a perda (Blackburn). Pergunte também se foi de propósito.
Usa o IMC médio de 24,5 kg/m² para o idoso, como na Apostila. Confira se a prova pede outro valor.
Sem o percentil 50 a conta para na CMB. A adequação precisa do valor da tabela de referência usada na aula ou na prova.
Para quem não consegue ficar em pé. A altura estimada vale para calcular o IMC.
Na equação simplificada, deixe CP e DCSE em branco. Digite a altura estimada na calculadora acima para ver também o IMC.
Energia de cerca de 30 kcal/kg/dia. Em edema, obesidade ou desnutrição grave, o peso a usar pede julgamento clínico. A proteína só se restringe na doença renal crônica avançada sem diálise.
Três casos fictícios para treinar. Tente responder, use as calculadoras se precisar e só depois abra a resposta.
Situações em que é fácil errar, na prova ou na consulta, e o que fazer em cada uma.
faça assim: a tabela do adulto não vale. No idoso, abaixo de 22 é baixo peso, de 22 a 27 é eutrofia e acima de 27 é excesso de peso (Aula 6).
faça assim: não. Olhe a perda de peso, a panturrilha, a força, a ingestão e os exames. O IMC não separa músculo de gordura.
faça assim: é um bom sinal, mas a CP sozinha não diagnostica sarcopenia. Abaixo de 31 é alerta e pede avaliar força e desempenho.
faça assim: não. Pessoas com sobrepeso ou obesidade também perdem músculo. Avalie força, quantidade de músculo e desempenho físico.
faça assim: não conclua desnutrição. Inflamação, hidratação, fígado e perdas também baixam a albumina. Leia junto com a PCR.
faça assim: pense na vitamina B12, porque a absorção diminui. Cansaço, anemia e formigamento reforçam a suspeita.
faça assim: use (usual − atual) ÷ usual × 100 e sempre informe o prazo. De 70 para 63 kg em 3 meses é 10%, perda grave.
faça assim: use as equações de Chumlea, com altura do joelho, panturrilha, braço e dobra subescapular. Depois calcule o IMC com os valores estimados.
faça assim: 1,0 a 1,2 g/kg/dia no idoso estável e 1,2 a 1,5 na doença. Só restrinja na doença renal crônica avançada sem diálise. Confira se o valor está em g/dia ou g/kg/dia.
faça assim: a aula traz 23, 17 a 23,5 e abaixo de 17. A forma reduzida usa 12 a 14, 8 a 11 e 0 a 7. Diga sempre qual versão usou.
faça assim: pergunte por quê antes de montar o cardápio. Pode ser apetite, paladar, dentes, engasgo, tristeza, remédio, dependência, dinheiro ou doença.
faça assim: o idoso sente menos sede. Procure pelo menos 1,4 L por dia nas mulheres e 2,0 L nos homens, contando chás, sucos e sopas.
Pergunte quanto e em quanto tempo o peso mudou e se foi de propósito, como estão a panturrilha e a força, por que está comendo menos, quais remédios usa, como estão mastigação e deglutição e o que aparece nos exames. Um idoso estável, forte e com boa alimentação e outro que perdeu 6 kg em 3 meses podem ter o mesmo IMC e quadros opostos.
Siglas e termos usados na avaliação do idoso. Digite para buscar.
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