antropometria
O que o corpo mostra em medidas.
- peso, estatura e IMC
- cintura e quadril
- perda de peso recente
- composição corporal
ABCD: antropometria, bioquímica, clínica e dietética. Cada número só faz sentido junto com os outros.
ir direto para
o diagnóstico vem da integração dos dados, não de um número isolado
A avaliação do adulto usa o método ABCD. Nenhuma dimensão conta a história inteira sozinha, por isso o diagnóstico nutricional é construído juntando as quatro.
O que o corpo mostra em medidas.
O que os exames mostram por dentro.
O que o exame físico e a história contam.
O que e como a pessoa come.
Cinco passos para pensar um caso. Cada cartão mostra, na prática, o que fazer com a Anna, uma paciente fictícia.
coletar os dados do paciente
colocar cada medida na tabela de referência
olhar os exames e dizer o que cada um mostra
juntar tudo e ver o quadro completo
escolher a conduta com base no quadro
arraste para o lado para ver os outros passos
fonte: Aula 6Material de estudo feito por uma estudante de nutrição a partir das aulas da disciplina. Não substitui a avaliação de um profissional nem serve como diagnóstico.
O passo a passo da consulta, na ordem em que acontece. Marque o que já fez. As marcações ficam salvas neste aparelho.
Quando o caso pede, como no paciente hospitalizado.
Cada marcador com a referência, o motivo do pedido e o que o resultado sugere, em quatro grupos de exames que costumam ser pedidos juntos. Escolha um grupo:
Os valores de referência variam um pouco entre laboratórios. No exame real, confira sempre o intervalo impresso no laudo.
Os três exames que mostram como o corpo lida com a glicose. Costumam ser pedidos juntos para fechar o diagnóstico de pré-diabetes e diabetes.
por que pedir: mostra a glicose circulante depois do jejum. É o exame de triagem mais usado.
se alterado: entre 100 e 125 indica pré-diabetes e a partir de 126, diabetes. O diagnóstico precisa de confirmação com pelo menos dois exames alterados.
por que pedir: mostra a média da glicemia dos últimos 2 a 3 meses, sem depender do jejum do dia.
se alterado: valor alto indica glicemia elevada por semanas. Em anemias, o resultado pode enganar, então confira com a glicemia.
por que pedir: mede a glicemia depois de beber uma dose de glicose. Pega alterações depois das refeições que o jejum não mostra.
se alterado: a diretriz de 2025 também aceita a medida de 1 hora: abaixo de 155 normal, 155 a 208 pré-diabetes e 209 ou mais diabetes.
Colesterol e gordura no sangue. São dosados juntos, e o padrão entre eles diz mais do que cada valor sozinho.
por que pedir: soma o colesterol de todas as lipoproteínas. É um retrato geral.
se alterado: alto pede olhar as frações. O mesmo CT pode ter LDL alto ou HDL alto, com significados opostos.
por que pedir: leva colesterol aos tecidos e é o principal alvo do tratamento.
se alterado: quanto maior, mais colesterol se deposita nas artérias. A meta fica mais baixa quanto maior o risco cardiovascular da pessoa.
por que pedir: reúne todas as lipoproteínas que fazem mal às artérias e não depende de jejum.
se alterado: útil quando os triglicerídeos estão altos, porque aí o LDL calculado fica menos confiável.
por que pedir: recolhe colesterol dos tecidos e leva ao fígado. Aqui, valor mais alto é melhor.
se alterado: baixo é um dos critérios da síndrome metabólica e costuma vir junto com triglicerídeos altos.
por que pedir: mostra a gordura circulante, muito ligada à gordura abdominal, ao álcool e aos carboidratos simples.
se alterado: alto com HDL baixo é o padrão da resistência à insulina. Acima de 440, repita em jejum para confirmar.
O conjunto que investiga anemia e a causa dela. Hemoglobina, tamanho dos glóbulos, reserva de ferro e B12 se completam.
por que pedir: carrega o oxigênio. É o exame que diz se existe anemia.
se alterado: baixa indica anemia, mas não diz a causa. Para isso, olhe o VCM, a ferritina e a B12.
por que pedir: mostra o tamanho médio dos glóbulos vermelhos.
se alterado: pequeno sugere falta de ferro. Grande sugere falta de B12 ou de folato.
por que pedir: mostra o ferro guardado no corpo, antes mesmo de a anemia aparecer.
se alterado: baixa indica reservas esgotadas. Mas a ferritina sobe na inflamação, então uma ferritina normal com PCR alta pode esconder falta de ferro.
por que pedir: é necessária para o sangue e para os nervos. Sua absorção depende do ácido do estômago.
se alterado: baixa pode vir de dieta vegetariana restrita, gastrite atrófica, cirurgia no estômago e uso prolongado de metformina e de omeprazol. Na faixa limítrofe, ácido metilmalônico e homocisteína ajudam a decidir.
PCR e albumina. Na avaliação nutricional, a primeira pergunta é se existe inflamação, porque ela muda como ler os outros exames.
por que pedir: é um marcador de inflamação feito pelo fígado quando as citocinas sobem. Mostra se há inflamação em curso.
se alterado: alta indica inflamação, e com ela a albumina e a ferritina perdem confiança. A PCR ultrassensível acima de 3 mg/L indica risco cardiovascular aumentado.
por que pedir: é a principal proteína do sangue e mostra a síntese do fígado. Demora cerca de 20 dias para mudar.
se alterado: cai na inflamação e na doença do fígado e do rim. Sozinha, não prova desnutrição, e não detecta desnutrição recente.
Tabelas de pontos de corte para consulta rápida, cada uma com a fonte. Escolha uma:
| IMC (kg/m²) | classificação |
|---|---|
| < 16 | magreza grau III |
| 16 a 16,9 | magreza grau II |
| 17 a 18,4 | magreza grau I |
| 18,5 a 24,9 | eutrofia |
| 25 a 29,9 | pré-obesidade |
| 30 a 34,9 | obesidade grau I |
| 35 a 39,9 | obesidade grau II |
| ≥ 40 | obesidade grau III |
Peso atual ÷ peso ideal × 100
| adequação | estado nutricional |
|---|---|
| ≤ 70% | desnutrição grave |
| 70,1 a 80% | desnutrição moderada |
| 80,1 a 90% | desnutrição leve |
| 90,1 a 110% | eutrofia |
| 110,1 a 120% | sobrepeso |
| > 120% | obesidade |
(peso usual − peso atual) ÷ peso usual × 100
| tempo | significativa | grave |
|---|---|---|
| 1 semana | 1 a 2% | > 2% |
| 1 mês | 5% | > 5% |
| 3 meses | 7,5% | > 7,5% |
| 6 meses | 10% | > 10% |
| medida | homens | mulheres |
|---|---|---|
| cintura, risco aumentado | 94 a 102 cm | 80 a 88 cm |
| cintura, risco muito aumentado | > 102 cm | > 88 cm |
| relação cintura-quadril (risco) | ≥ 1,0 | ≥ 0,85 |
| relação cintura-estatura (risco) | > 0,50, para os dois sexos | |
Está presente quando 3 dos 5 critérios estão alterados. É uma classificação de risco, não uma doença.
| critério | ponto de corte |
|---|---|
| cintura | homens ≥ 90 cm e mulheres ≥ 80 cm (IDF, população latina). No critério NCEP: homens > 102 cm e mulheres > 88 cm |
| triglicerídeos | ≥ 150 mg/dL |
| HDL | < 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres |
| pressão arterial | ≥ 130 / 85 mmHg (basta um dos dois valores) |
| glicemia de jejum | ≥ 100 mg/dL |
Atenção: a regra do IDF original exige cintura alterada mais 2 dos outros 4. Na aula, vale a regra de 3 dos 5.
fonte: IDF e NCEP ATP III, conforme revisões em português| IMC médio | homens 22 e mulheres 21 kg/m² |
| peso ideal | IMC médio × altura² |
| ajustado, IMC > 30 | (atual − ideal) × 0,25 + ideal |
| ajustado, IMC < 18 | (ideal − atual) × 0,25 + atual |
O peso ajustado serve só para calcular calorias e proteína.
fonte: Apostila (2013)| situação | valor |
|---|---|
| kcal/kg, paciente crítico | 20 a 25 |
| kcal/kg, manutenção | 25 a 30 |
| kcal/kg, ganho de peso | 30 a 35 |
| proteína sem estresse | 0,8 g/kg/dia |
| proteína, estresse leve | 1,0 a 1,2 g/kg/dia |
| proteína, estresse moderado | 1,2 a 1,5 g/kg/dia |
| proteína, estresse intenso | 1,5 a 2,0 g/kg/dia |
| água, adulto | 35 mL/kg/dia |
Digite os dados e veja a conta, a classificação e uma frase pronta para a resposta. Para altura, use metros (1,74) ou centímetros (174). Escolha uma calculadora:
| IMC (kg/m²) | classificação |
|---|
Vale para adultos de 18 a 60 anos. Para idosos e gestantes os pontos de corte são outros.
Sem o prazo não dá para classificar a perda (Blackburn).
Só precisa quando o IMC é maior que 30 ou menor que 18. Serve apenas para calorias e proteína, nunca para IMC nem adequação.
Use o peso certo: atual, ou ajustado se o IMC for maior que 30 ou menor que 18. Digite os fatores de atividade e injúria que o caso ou a aula indicar. Deixe 1 para ver só o gasto basal.
Quem usa remédio para pressão, glicemia ou triglicerídeos pode contar o critério como alterado, mesmo com o valor normal. Avalie caso a caso.
Três casos fictícios para treinar. Tente responder, use as calculadoras se precisar e só depois abra a resposta.
Situações em que é fácil errar, na prova ou na consulta, e o que fazer em cada uma.
faça assim: o peso ajustado entra só no cálculo de calorias e proteína. Adequação do peso e IMC usam sempre o peso atual.
faça assim: confira a unidade antes de calcular. Em g/kg/dia, multiplique pelo peso em kg para chegar em g/dia.
faça assim: calcule cada termo, com a altura em cm, e só depois some e subtraia. Respeite a ordem: parênteses, potências, multiplicação e divisão, soma e subtração.
faça assim: a Apostila e a professora usam os coeficientes originais. A versão revisada (Roza e Shizgal) dá outro resultado. Veja qual a prova pede e diga sempre qual usou.
faça assim: use (peso usual − peso atual) ÷ peso usual × 100 e sempre informe o prazo. Sem o tempo, não dá para classificar a perda (Blackburn).
faça assim: são cortes diferentes. Cintura em mulheres: 80 cm aumentado e 88 cm muito aumentado. Relação cintura-quadril: mulheres a partir de 0,85 e homens a partir de 1,0.
faça assim: a tabela do adulto não vale. No idoso o ponto de corte é mais alto: abaixo de 22 é baixo peso (Aula 6).
faça assim: isso é síndrome metabólica como classificação de risco, não uma doença. Ela aponta risco cardiovascular e de diabetes tipo 2.
faça assim: o peso é o mesmo, o significado não: um perdeu gordura, o outro músculo e água. Olhe a composição corporal, a força e os exames.
faça assim: não é automaticamente falta de ferro. Olhe a ferritina, a inflamação, o estado fisiológico (como a gestação, que dilui o sangue) e a alimentação.
faça assim: ela também cai na inflamação e demora cerca de 20 dias para mudar. Sozinha, não prova desnutrição: olhe junto com a PCR.
Pergunte quanto e em quanto tempo o peso mudou, se foi de propósito, como está a cintura, a massa muscular e a força, o que aparece nos exames, o que a pessoa come e quais doenças tem. Alguém com anos de musculação e cintura normal e alguém com perda involuntária de peso e doença crônica podem ter o mesmo IMC e diagnósticos opostos.
Siglas e termos usados na prática clínica. Digite para buscar.
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